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História:Candidato à Presidência pela quarta vez consecutiva pelo PT, o ex-vendedor de tapioca, ex-torneiro mecânico e ex-sindicalista Luiz Inácio Lula da Silva tem repetido ao longo da campanha que considera esta a sua última chance de chegar ao poder. Agora em 2002, obteve sua maior votação em todas as participações na disputa presidencial: mais de 39 milhões de votos, ou 46% do total de válidos. Uma performance histórica para o PT, que quase o levou à vitória no primeiro turno. Experientes em campanhas presidenciais, Lula e o partido decidiram desta vez apostar no pragmatismo, abandonando dogmas caros aos petistas tradicionais, ampliando o leque de alianças e dialogando com segmentos sociais antes desprezados. Lula abrandou o discurso e até o tom de voz. Diversificou o cardápio de assuntos e mudou o corte de cabelo. Para os adversários, é o lobo de sempre, agora sob pele de cordeiro. Para os velhos conhecidos, apenas amadureceu. Filho
de pai e mãe analfabetos, nasceu em Garanhuns, no sertão
de Pernambuco, há 56 anos. Cinco anos depois, enfrentou 13 dias
num pau-de-arara e foi com a mãe e sete irmãos morar na
periferia de Guarujá, numa casa de um cômodo. Em 1969, com
um diploma de torneiro mecânico do Senai, elegeu-se suplente na
diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo
e Diadema. Seis anos depois, foi eleito presidente do sindicato com 92%
dos votos. Mas só se tornou conhecido nacionalmente em 1978, quando
comandou as primeiras greves de metalúrgicos do regime militar.
Desde o fim do mandato de deputado federal, em 1990, tem como única
fonte de renda o salário de R$ 7 mil que recebe do partido. Embora
não freqüente mais as rodas de cachaça e as peladas
na frente das fábricas do ABC, mantém hábitos simples.
Sua principal diversão nos fins de semana é ir com a família
para o sítio. Do meio para o fim da disputa, passou a ser o de ganhar já no primeiro turno. Lula foi crescendo e a estratégia da paz e do amor, sem ataques aos adversários, mostrou resultado. O candidato petista chegou a rondar os 50% dos votos válidos nas pesquisas, mas acabou ficando com percentual menor do que esse nas urnas. Parte para o segundo turno com a missão de tentar costurar o apoio de Anthony Garotinho e Ciro Gomes, os outros candidatos que disputaram com ele os votos de oposição. E tenta ainda ampliar o leque de apoio, procurando atrair também de setores mais conservadores. A criticada aliança nacional com o PL, que indicou o vice na chapa (o empresário e senador José Alencar), é um sinal do PT de que se sente pronto para assumir o poder no país. O jornal britânico"The Guardian" tem essa convicção. Num perfil de Lula publicado em julho, o diário ressaltou que o petista sempre "quase chega lá", mas enfatizou que essa seria a melhor chance de ele se eleger. A opinião é sustentada por analistas políticos brasileiros como David Fleischer, professor de política da Universidade de Brasília, e Ricardo Ribeiro, da MCM Consultores. Destacando sua atuação na resistência contra a ditadura, o influente Guardian diz que desde a década de 70 Lula se firmou como líder dos trabalhadores. E acrescenta que o PT cresceu na última década e conquistou posições importantes em estados como São Paulo e Rio Grande do Sul.
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