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Brasil ou no exterior, o guaraná se tornou definitivamente um nome
que logo associamos ao melhor de nossa cultura. Isto se deve em grande
parte a popularidade dos refrigerantes que levam este produto em sua composição. Da mesma forma que modernos ocidentais podem crer que o leite vem da caixa, e não da vaca, há quem possa acreditar que o guaraná vem da garrafa ou da latinha. Exageros a parte, o guaraná é com certeza uma fruta que ninguém ignora, ainda que poucos apenas a conheçam. Não podemos falar honestamente desta planta sem falar do povo que se fez seu guardião e protetor, os Satere-Mawe, autodenominados "filhos do guaraná". Este povo milenar habita o sudeste da Amazônia. São quase dez mil almas distribuídas em 85 aldeias e ocupando um território de 780 000 hectares banhado principalmente pelos rios Andira, Marau et Urupadi. Na mitologia satere-mawe, o guaraná está na origem dos homens e do mundo. Há milênios que os Satere recolhem as mudas do cipó de guaraná na floresta profunda e as replantam nas imediações de suas aldeias, formando os guaranazais, nos quais a planta crescera como um arbusto.
Os indios Satere-Mawe rapam o bastão de guaraná com uma pedra de basalto numa cuia cheia d'agua e assim produzem sua bebida sagrada, o capo. Da colheita de mudas a celebracão coletiva em torno do capo, tudo é devidamente ritualizado na relação entre os Satere-Mawe e o guaraná. As populações caboclas que habitam os arredores do território indígena, berço genético da planta, também produzem guaraná de maneira orgânica e ecológica, como os índios.
A descoberta do guaraná pelo mercado mundial levou a um crescimento geometrico de sua demanda. Nas últimas décadas, surgiram plantações de guaraná em diversos estados do Brasil: Bahia, Espírito Santo, Rondônia, Mato Grosso. Trata-se de uma produção agroindustrial, marcada pelo emprego sistemático e abusivo de pesticidas e adubos químicos. Este tipo de produção barateou o guaraná, tendo um efeito profundamente negativo para as populações amazônicas tradicionalmente produtoras. Há que salientar ainda a baixíssima qualidade do produto obtido por meios agroquímicos. Hoje
em dia, torna-se cada vez mais comum encontrarmos produtos que fazem do
guaraná um grande argumento de marketing. Mas...que guaraná
e esse que, mesmo no Canada, encontramos cada vez mais presente na publicidade?
Melhor perguntando, qual a diferenca entre guaraná e "guaraná"?
É disso que trataremos na nossa próxima coluna!
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