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Canadense torturado na Síria
quer explicações do governo dos EUA

 


20/09/06 - OTTAWA – Um engenheiro de softwares que foi exonerado de qualquer envolvimento com terrorismo por um inquérito do governo canadense afirmou na terça-feira que ele gostaria que os Estados Unidos explicassem por quê ele havia sido enviado para a Síria, onde ele foi preso e torturado. (The New York Times) Ian Austen

E além de uma compensação e de um pedido de desculpas das autoridades canadenses, cujas informações imprecisas contribuíram para sua deportação para a Síria, Maher Arar, 37 anos, afirmou que ele também queria que o primeiro-ministro canadense, Stephen Harper, entrasse em contato com o presidente Bush para exigir que seu nome, assim como o dos membros de sua família, sejam limpos formalmente nos Estados Unidos.

“É a minha esperança que o governo americano dê às pessoas uma explicação válida sobre o que aconteceu”, afirmou Arar em uma entrevista. “No que isso colabora para a credibilidade do governo americano quando ele fala sobre a proteção dos direitos humanos?”

Em seu relatório, liberado na segunda-feira, a comissão de inquérito afirmou que a polícia federal do Canadá havia fornecido às autoridades americanas informações falsas, inclusive a acusação de que Arar (nascido na Síria) e sua esposa eram “suspeitos de envolvimento com a al-Qaeda".

Isso tudo levou à decisão dos EUA de detê-lo em outubro de 2002, enquanto ele estava trocando de avião em Nova York. Arar foi então levado para a Jordânia em um avião do governo americano e então viajou por terra até a Síria. Lá, de acordo com o relatório, Arar foi espaçando repetidamente e forçado a fazer uma confissão falsa. Ele foi libertado em 2003.

Arar afirmou ter se chocado ao saber que não apenas ele, sua esposa e seus dois filhos constavam nas listas de suspeitos de terrorismo utilizada por oficiais das fronteiras dos Estados Unidos e do Canadá. “Graças a Deus eu não soube disso quando estava na Síria”, afirmou ele. “Saber disso teria feito que minha situação ficasse ainda pior”.

Harper disso à Câmara dos Comuns na terça-feira que Arar havia sido “vítima de uma tremenda injustiça”, acrescentando que “nós todos sabemos que isso aconteceu durante o período do governo anterior”.

No entanto, Harper, que está no cargo desde janeiro, anteriormente liderava um partido conhecido como Aliança Canadense, que havia dito que Arar era um terrorista perigoso e atacou as tentativas do governo anterior para assegurar sua soltura. Arar abriu um processo contra os oficiais americanos que foram responsáveis por mandá-lo para a Síria, porém um juiz federal em Nova York dispensou o caso após decidir que ele não possuía uma jurisdição. Atualmente, um recurso corre no tribunal.

Em Washington, o promotor-geral Alberto Gonzáles afirmou que não havia lido o relatório, no entanto, ele disse que “nós (o governo americano) não somos responsáveis por sua deportação para a Síria”. Ele ainda acrescentou que não sabia que Arar havia sido torturado. Arar admitiu que os anos podem passar antes que ele receba qualquer coisa dos Estados Unidos. Além disso, afirmou ele, “O fato de eu ter de conseguir respostas do governo americano não significa que o povo americano não esteja interessado”.

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