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Jogadores da NBA visitam favela de São Paulo


Martín Fernandez, do Estadão

03/08/07 - Atletas e técnicos da liga aparecem na comunidade do Coliseu e doam centro de informática

GIGANTE - Pivô Shawn Marion, do Phoenix Suns, brinca com criança durante a visita SÃO PAULO - Ismael Ribeiro de Oliveira, de 29 anos, nunca tinha visto tantas câmeras na vida. Nem ele nem ninguém da favela do Coliseu, uma viela encravada no meio da Vila Olímpia, um dos bairros mais luxuosos de São Paulo. O motivo era a visita do "Basquete Sem Fronteiras", projeto da NBA que alia aulas do esporte a ações sociais.

Nesta quinta-feira, atletas e técnicos da liga de basquete mais rica do planeta visitaram a pequena comunidade, que ganhou de presente uma quadra poliesportiva e um centro de informática com 15 computadores. O dia foi de festa para a criançada.

Para Ismael, o motivo de alegria era outro: ele voltou a encontrar o velho amigo Leandro Barbosa. Os dois cresceram juntos jogando basquete. Um é astro da NBA, o outro, segurança de um restaurante. "Foi azar mesmo, falta de sorte", disse Ismael, sem nenhuma tristeza na voz, ao comparar sua situação com a do amigo. No ano passado, ele disputou o Campeonato Nacional pelo time de Londrina. "Hoje, como segurança, eu ganho três vezes mais do que quando jogava."

Leandrinho, de 25 anos, eleito o melhor reserva da última temporada da NBA, tem salário milionário nos Estados Unidos. Mas os dois conversaram como se não houvesse nenhuma diferença. "Tenho saudade desse cara, dos rachões no Ibirapuera, no Parque Villa-Lobos", disse o armador do Phoenix Suns, sempre sorrindo.

Ismael contou que aprendeu a jogar com Artur, irmão de Leandrinho. "Depois enfrentei o Leandro várias vezes. Ele tinha 16 anos e jogava contra os adultos, já era craque", lembrou. "Eu também tentei. Em 2005, joguei a Universíada (olimpíada universitária) e achei que poderia estourar", prosseguiu. "Agora deu. Basquete? Sou viciado. Mas gosto do meu trabalho, me dá estabilidade. E preciso cuidar da minha mãe."

Enquanto os dois velhos amigos se reencontravam, a comitiva da NBA se divertia na favela. Herb Brown, veterano assistente-técnico do Atlanta Hawks, suava para ensinar ao pequeno Mateus Pereira, de 8 anos, a lidar com a bola de basquete.

O garoto nunca havia praticado o esporte. Estreou com uma enterrada, depois de ser levantado até a altura do aro por Nenê (2,11 metros), outro dos brasileiros que participaram da visita. De volta ao chão, chutou a bola laranja como se fosse de futebol. "Com as mãos", tentava ensinar Brown, em inglês. Depois de vários arremessos, finalmente uma cesta de Mateus. "Muy bien", em espanhol mesmo, elogiou o veterano professor.

Entre os jogadores estrangeiros, quem mais se sentia em casa era Samuel D’Alembert, de 26 anos. O pivô do Philadelphia 76ers é nascido no Haiti. "Eu me enxergo nessas crianças", contou. "Meus ídolos de infância eram Pelé e Maradona, mas eu só os via pela televisão."

D’Alembert jogou futebol até os 15 anos. Só quando se mudou com a família para o Canadá é que o basquete apareceu em sua vida. "Mas o fato de ter jogado futebol me ajudou muito no basquete."

O jogador arriscou até uns passos de capoeira, na roda comandada pelo mestre Deraldo Silva Ribeiro, o Bill, também morador da comunidade. "É difícil viver de capoeira", comentou o capoeirista. "Dou aula numa escola particular e de noite sou segurança."

Leandrinho também se lançou na roda, antes de ensinar a um grupo de crianças alguns truques do basquete. "Eu cresci num lugar pior do que este, mais feio e violento. Por isso gosto tanto de ajudar essas crianças."

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