Michael
Schumacher, um gênio polêmico
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10/09/09
Esporte - MONZA, Itália (Reuters) - A posição
de Michael Schumacher como um ícone da Fórmula 1
e piloto mais bem sucedido da história do esporte está
garantida. Por Alan Baldwin
Se
o piloto da Ferrari, heptacampeão do mundo, é também
o melhor de todos é uma outra questão, que com certeza
dá início a uma discussão sem fim depois
que o sempre polêmico
alemão finalmente deixar as pistas.
Esta
pergunta vem perseguindo Schumacher desde que ele quebrou, em
2003, o recorde de Juan Manuel Fangio de cinco campeonatos mundiais,
que já durava décadas.
Por
mais de uma década, a Fórmula 1 foi dividida pelo
comportamento de um homem abençoado com um incrível
talento e também por alguns fracassos óbvios.
Ele
é um dos grandes, uma figura que transcende seu esporte
como uma celebridade mundial, conhecida até mesmo por aqueles
que pouco acompanham o mundo das corridas de carro.
Uma
geração de fãs cresceu assistindo Schumacher
esmurrando o ar durante sua tão familiar volta da vitória,
torcedores que se deleitaram com seu talento na chuva em Spa e
comemoraram com ele em sua Alemanha.
Há
muitos outros, no entanto, que sentem que a carreira do piloto
de 37 anos foi muito inconstante para que ele seja idolatrado
como Fangio, Jim Clark ou Ayrton Senna -- mesmo que o último
não tenha sido propriamente um anjo.
Houve
acusações de trapaça, depois de seu primeiro
título em 1994, quando ele colidiu com o britânico
Damon Hill para vencer o campeonato por um ponto, e em 1997, quando
ele tentou tirar o canadense Jacques Villeneuve da pista.
O
Grande Prêmio de Mônaco desse ano, quando Schumacher
foi punido por impedir, propositalmente, que seus rivais terminassem
sua volta rápida e lhe tirassem a pole position, foi a
última de uma lista de controvérsias que enraiveceram
seus rivais ao longo do tempo.
LINHA
CERTA
"Onde
Schumacher não pode desenhar uma linha certa é na
pista", escreveu seu ex-companheiro de equipe Martin Brundle
no jornal Sunday Times.
"Ele
não consegue ver quando cruza a linha entre o duro mas
honesto, e o brutal e sujo. E isso é exacerbado pela sua
total crença de que ele não pode estar errado."
"Ele
tem um modo negligente no carro: se você for ultrapassá-lo,
ele vai jogá-lo para fora da pista", acrescentou Brundle.
"Ele fez isso comigo quando éramos companheiros de
equipe."
O
adeus final acontecerá no Brasil, no mês que vem,
depois que Schumacher anunciou logo depois de sua vitória
no GP da Itália, neste domingo, que se aposentará
no final da temporada.
Schumacher
não será esquecido, não pelos seus inimigos
e certamente não pelos torcedores fiéis da Ferrari
que se amontoaram no histórico circuito de Monza para seu
adeus na Europa.
Ele
irá passar mais tempo com sua jovem família, a quem
ele protegeu da curiosidade do público.
Schumacher,
que frequentemente era arrogante e insolente em seu início
de carreira, se afastou da fama e adoração ao herói
que vêm com o tempo.
"Eu
não quero isso, tenho um problema com isso, assim como
eu faço com a histeria que cerca a minha pessoa",
disse Schumacher uma vez, mostrando pouco interesse nos muitos
recordes que acumulou e na história que ele fez na F1.
"Obviamente,
eu aprecio o que as pessoas pensam sobre minhas conquistas e como
isso as influencia, mas eu não vejo a mim mesmo como um
herói."
"Sou
como todo mundo, aconteceu apenas de eu ser capaz de dirigir rápido."
RECORDES
O
alemão tem sido um vencedor como nenhum outro.
Os
fatos são incontestáveis: um recorde de 90 vitórias
depois do triunfo desse domingo em Monza, cinco títulos
consecutivos pela Ferrari e maior número de pontos, pole
positions e pódios do que qualquer outro piloto da história.
O
atual campeão do mundo, Fernando Alonso, da Renault, é
um daqueles que duvidam que alguém sequer chegará
perto de bater o número de vitórias de Schumacher.
"Acredito
que você tem de ser extremamente sortudo, com a equipe certa
o tempo todo", disse ele. "Quando você está
no carro errado, no momento errado, não pode fazer qualquer
coisa."
Schumacher
excedeu ao estar no lugar certo na hora certa, e quase sempre
com o melhor carro. Ele também foi o arquiteto de seu próprio
sucesso ao construir um time forte ao seu redor.
Filho
de um pedreiro, que agora é o proprietário de um
circuito para kart, em Kerpen, perto de Colônia, Schumacher
nasceu em Huerth-Hermuelheim, em 3 de janeiro de 1969.
O
homem que se tornou o primeiro e o único campeão
de Fórmula 1 da Alemanha começou no kart com 4 anos,
num carro construído por seu pai Rolf e equipado com o
motor de um cortador de grama.
Ele
fez sua estréia na F1 correndo pela Jordan, em Spa, em
1991, depois que o piloto belga Bertrand Gachot foi preso por
atacar um motorista de táxi em Londres com gás lacrimejante.
O
empresário de Schumacher, Willie Weber, convenceu Eddie
Jordan de que o jovem alemão, pouco conhecido fora do time
de carros de corrida esporte da Mercedes, conhecia o famoso circuito
muito bem. Na verdade, ele mal havia completado o percurso numa
bicicleta.
O
ex-mecânico de garagem foi um sucesso instantâneo.
Foi contratado imediatamente por Flavio Briatore, à época
na Benetton, e conseguiu sua primeira vitória na Espanha,
em 1992.
O
primeiro título com a Benetton veio em 1994, depois que
o brasileiro Ayrton Senna morreu em Ímola.
A
morte de Senna roubou da Fórmula 1 uma emocionante batalha:
o jovem pretendente contra o tricampeão. Somente mais tarde,
com o surgimento de Alonso como o mais jovem campeão da
F1 em 2005 e Kimi Raikkonen vencendo com a McLaren aconteceu o
embate entre as gerações.
Embora
tenha sido com Hill, que se tornou primeiro piloto na Williams
depois da morte de Senna, e Mika Hakkinen, da McLaren, que Schumacher
travou os grandes duelos que incendiaram o campeonato em meados
dos anos 1990.
Depois
da infame colisão com Hill, e um segundo título
em 1995, Schumacher se transferiu para a Ferrari para selar sua
fama e estabelecer uma nova era de glamour para a equipe.
Hill
venceu em 1996, e então aconteceu o fracasso de 1997: "Se
há alguma coisa na minha carreira que eu pudesse fazer
diferente, seria aquele episódio", disse ele posteriormente.
Em
2000, ele garantiu à Ferrari o primeiro título de
pilotos em 21 anos e a pressão diminuiu com mais quatro
conquistas consecutivas. Poucos descartam um oitavo título
antes que ele parta.
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